Cultura - Desporto - Tempos Livres - Educação - Cooperação

16
Jul 10
Pedindo desculpa pelo longo interregno, a todos visitantes deste espaço, damos conhecimento de algumas das actividades mais recentes levadas a cabo pela direcção desta colectividade, nomeadamente: o 8º Torneio em Damas Clássicas, denominado "Vale do Ave", que se realizou no passado dia 26 de Junho e a "Festa de S. Pedro", que se realizou no passado dia 3 de Julho.

 

O 8º Torneio de Damas Clássicas teve como vencedor Luís Sá, de Vila do Conde sendo que Alcides Ferreira, foi o melhor jogador da casa, arrebatando o 3º lugar. O jogador mais velho em prova foi Antero Rainha, de Vila do Conde, enquanto o mais novo, foi Paulo lapa, também de Vila do Conde.

 

A festa de S. Pedro teve a abrilhantar dois grupos Musicais com créditos já bem formados no panorama da Musica Popular do Norte: O Grupo de Cavaquinhos da Casa do Povo de Vizela e o Grupo de Cantares Populares Os Amigos de Sobreposta, de Braga.

 

Os dois grupos animaram de sobremaneira as largas centenas dos presentes que cantaram e se deliciaram com as boas sardinhas assadas e o bom vinho, colocados à disposição de todos.

 

No intervalo deste Programa de Variedades, foram entregues os Prémios do Concurso de Quadras Populares, que tinha sido lançado uns dias antes, com 13 concorrentes aos 5 prémios em disputa , quadras essas que, depois de apreciadas pelo Júri do Concurso, composto pelo Presidente da Assembleia Geral da Casa do Povo, Júlio César Ferreira, José Pedro Marques e Zélia Fernandes da Rádio Vizela, forneceu os seguintes resultados: 1º - Carina Faria - 2º Diana Ribeiro - 3º Mónica Faria - 4º Liliana Leite - 5º Anselmo Peixoto.

 

As Quadras populares premiadas, foram as seguintes:

 

Flor do meu jardim

Eu colhi para te dar

Meu amor não terá fim

Se Sto. António m'ajudar

 

As sardinhas estão assar

e o vinho vai p'ra mesa

O S. João Vai-se festejar

numa casa portuguesa

 

Na noite de S. joão

Hei-de comprar um apito

Vou rebentar um balão

E cheirar um manjerico

 

É noite de S. João

Estalam foguetes no ar

Põe o manjerico na janela

E vem as sardinhas assar

 

Na noite de S. joão

A casa vou enfeitar

Vou convidar uns amigos

Para o Santo festejar

 

 

 MOMENTOS DA FESTA

 

 

 A noite foi animada, ao som do Grupo Amigos de Sobreposta

Um merecido repasto, no final da actuação do Grupo de Cavaquinhos

Afinar os instrumentos, é preciso...

 

 

ALGUNS ASPECTOS DO 8º TORNEIO "VALE DO AVE" EM DAMAS CLÁSSICAS

Aspecto geral de uma das fases do 8º Torneio Vale do Ave, em Damas

Clássicas

Concentração!

Pretas e Brancas...

publicado por Casa do Povo de Vizela às 16:12

09
Dez 09

Estamos chegados a mais uma época natalícia.É tempo de as pessoas se unirem em torno das coisas boas da vida. Tempo de paz, tempo de alegria, tempo de festa, tempo amizade, tempo de união nas famílias.

 

A Casa do Povo de Vizela,  cumprindo a sua obrigação, enquanto Associação de Interesse Público, apresenta a todos os seus associados e famíliares,  amigos e benfeitores, colaboradores e membros das várias secções culturais e desportivas, assim como a toda a comunidade vizelense, Órgãos de Comunicação Social, Juntas de Freguesia do Concelho e Câmara Municipal, os mais sinceros votos de um Feliz e Santo Natal, assim como um Novo Ano 2010, repleto das maiores venturas.

 

Boas Festas

Feliz-Natal

Bom Ano Novo

 

publicado por Casa do Povo de Vizela às 14:40

20
Nov 09

 

A biblioteca
 

   Na segunda metade da década de 50, o Estado salazarista reforçou, com a criação da Junta de Acção Social, a sua intenção de constituir uma «cultura popular», dando incentivos à organização de bibliotecas que se ativessem à linha dos valores ideológicos salazaristas. Como já foi referido, as bibliotecas no período do Estado Novo caracterizam-se mais facilmente, no plano ideológico, pelas obras e autores que omitiam do que pelos que acolhiam. O acervo da biblioteca da Casa do Povo de Vizela foi sendo construído ao longo dos anos, mesmo antes de disponibilizar um espaço apenas para esse efeito, conforme se constata nas despesas com a aquisição de livros. Inicialmente, seriam os livros de valorização do ruralismo, os de interesse para os rurais alfabetizados. Contudo, foi surgindo nova literatura na biblioteca e, segundo o livro de inventário, em Março 1976 existiam 300 livros e um dicionário “Torrinha”, mantendo-se este mesmo número em Abril de 1981. Apesar da inexistência de qualquer indicador quanto ao número de livros disponíveis no período antes de Abril de 1974, não será de descartar a hipótese de alguns serem destruídos ou extraviados, apesar de os existentes, actualmente, não serem inferiores a duas centenas, entre colecções e avulso

 

No intuito de elaborar também uma breve análise aos orçamentos anuais da Casa do Povo,constatamos que, para além das interrupções na sua elaboração os valores orçamentados não surgem referenciados nas actas, salvo excepções. 

 

Sobre os anos de 1947 e 1948, não surge lavrado em acta qualquer apresentação de orçamentos ou contas de gerência. Nos anos de 1963 e 1964, nas respectivas actas, como não existe referência à aprovação das contas de gerência desses mesmos anos, incluímos, como valores referenciais, os orçamentados para cada ano. Os anos em questão incluem-se nas excepções acima referidas e dispõem de orçamento ordinário e suplementar, conferindo este último um grau elevado de fiabilidade, pois permite um ajuste muito próximo dos valores reais para esse ano. Quanto ao ano de 1966, e não dispondo de valores totais, servimo-nos do somatório dos valores mensais.

 

     Numa breve leitura aos números verificamos que nas duas décadas em questão as receitas quase sempre superaram as despesas. O inicio da construção da sede em 1954 justificam certamente o saldo negativo, bem como nos dois anos seguintes, apesar de um aumento significativo das receitas. No ano de 1956, ano da inauguração da sede, a aquisição do equipamento absorveu também parte importante da verba disponível, em especial o posto clínico. A partir de 1963, surge um aumento significativo das receitas e das despesas, sendo esses valores justificados, quanto às receitas, pela exploração do salão recreativo e juros, entre outros. Quanto às despesas, o aumento deveu-se, entre outros, ao crescimento dos encargos com a remuneração do pessoal, incluindo o médico, aquisição de bens móveis e imóveis e o equipamento do Centro de Recreio Popular de Vizela. Em 1964, a Casa do Povo de Vizela enviou um donativo significativo para ajuda das vítimas do sismo ocorrido na ilha de S. Jorge (Açores).

 

 Análise dos movimentos mensais (1966)

 

A partir do somatório dos valores mensais (receita e despesas) do ano 1966, efectuamos uma breve análise às contas de gerência, no sentido de verificar e evolução do balancete mensal. Efectivamente, as receitas superaram as despesas na maioria dos meses, evidenciando-se negativamente os meses de Junho e Setembro, com valores muito abaixo dos 5.000$00, no que concerne às receitas. No entanto, e por falta de oportunidade, não foi possível apurar o motivo destas diferenças, constatando-se apenas, no final do ano, que o saldo manteve-se positivo, muito idêntico ao inicial.

 

  Nota final
   
Propusermo-nos efectuar um trabalho de análise sobre a Casa do Povo de Vizela, incidindo na sua importância para a comunidade como extensão de um Estado providente, no período do Estado Novo. Nesse sentido, a incursão pelo arquivo documental reverte-se de crucial importância, de forma a recolher a informação disponível e, numa conjunção de fontes, elaborar o trabalho proposto. As dificuldades encontradas na obtenção dessas fontes, por rarearem, não nos permitiram alcançar todos os objectivos nesta primeira abordagem. As fontes disponíveis permitiram-nos uma análise superficial à actuação das direcções da Casa do Povo, nomeadamente as reuniões e as contas de gerência. A análise de outros dados disponíveis, como aos elementos estatísticos do movimento do posto clínico e a correspondência recebida, contribuirá certamente para um estudo mais aprofundado. No entanto, será oportuno referir que a recuperação do espólio documental extraviado, como as fichas dos sócios, permitiria obter resultados a outro nível, pois o estudo da Casa do Povo de Vizela não se esgota aqui. Com as fontes disponíveis e recolha dos depoimentos de pessoas que acompanharam a actividade da instituição, será possível alcançar esse desidrato. Neste sentido, o levantamento e análise do que resta da biblioteca reveste-se de importância, contribuindo também para melhor compreender a sua eficácia na propagação de uma doutrina política junto da população, bem como uma identificação do acervo.
    
Como conclusão, será justo realçar que a elaboração deste trabalho não seria possível sem a colaboração da actual direcção da Casa do Povo, na pessoa do senhor Júlio César Ferreira, disponibilizando o arquivo documental existente, bem como as suas memórias.  
publicado por Casa do Povo de Vizela às 16:08

11
Nov 09
3.1.2 Outros livros
 
      Desse espólio, para além dos livros de actas, existem outros que reflectem a actividade da instituição, nomeadamente:
 - Livro de Inventário - com 50 folhas não rubricadas, com as datas extremas: 31 de Outubro de 1944 (Termo de Abertura) a Setembro de 1984;
 - Livro do Rancho Folclórico de Vizela (receitas e despesas) - com 100 folhas, com as datas extremas: 11 de Janeiro de 1958 a 10 de Setembro de 1959;
 - Livro do Registo de Correspondência Recebida – com 100 folhas, com as datas extremas: 02 de Janeiro de 1961 (Termo de Abertura) a 30 de Maio de 1996.
      No livro do Registo de Correspondência Recebida, as interrupções dos registos são evidentes. A primeira dá-se entre 28 de Fevereiro de 1962 e 8 de Outubro de 1973, seguindo-se outra interrupção de 11 de Março de 1974 a 04 de Janeiro de 1982. A partir desta data, existe registos regulares até 30 de Maio de 1996, data do termo dos registos neste livro.
 
3.1.3 “Dossier” de correspondência enviada
 
      Da correspondência enviada e recebida poder-se-á aferir, para além de uma quantificação e periodicidade, os níveis de contactos estabelecidos entre a Casa do Povo e outras entidades, tais como o Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (sessões de cinema) e Delegado de Saúde do Distrito de Braga. Nesta matéria, o arquivo documental disponível salda-se apenas por um “dossier” de cópias de correspondência enviada entre 18 de Janeiro de 1965 e 30 de Dezembro de 1966. Na sua maioria, a correspondência representava o expediente normal das actividades desenvolvidas por esta instituição. No entanto, destaca-se a existência de correspondência que testemunha o empenho da Casa do Povo no contributo às aspirações da vila de Vizela a concelho, início de uma luta que alterou a história mais recente destas gentes. Datada do ano de 1965, essa correspondência serviu para enaltecer e agradecer, por parte da direcção, as notícias publicadas pelos jornais, nomeadamente “O Século”, o “Primeiro de Janeiro” e o “ Correio do Minho”, onde se apela ao governo da nação a criação do concelho. Aliás, o interesse da Casa do Povo não se circunscrevia aos assuntos locais e nacionais, pois também os de outros países faziam parte das suas preocupações como foi o exemplo da “agressão” da Hungria por parte da União Soviética em 1956 
 
3.1.4 Álbum de fotografias
 
      A inauguração da sede da Casa do Povo de Vizela foi momento alto do historial da instituição e da comunidade, um dia festivo e contemplado com a presença de convidados ilustres, para além do corpo directivo, sócios e inúmeros populares. Um álbum com algumas fotografias em bom estado de conservação consagra-lhe vinte fotografias (14 Outubro de 1956) que registaram alguns momentos como o “corte da fita”, a bênção das instalações e os inevitáveis discursos.
As instalações do novo edifício também constam deste álbum, num total de oito fotografias, sem referência a data, ilustram algumas das funcionalidades da nova sede. Uma da salas destinava-se às actividades recreativas e onde decorriam as sessões de cinemas incrementadas pela Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho um organismo do Estado Novo. Dessas projecções, dispõem de três fotografias, datadas de Setembro de 1967, e que evidenciam o entusiasmo que estes eventos geravam na população.
A existência de um rancho folclórico também se poderá constatar através de uma fotografia, sem data, dos seus elementos. Por último, existe uma fotografia alusiva a um almoço ou jantar, sem referência a qualquer data, mas que poderá ter ocorrido no dia da inauguração
 

António Fernandes Gonçalves - Licenciado em Ciências Sociais/História, aluno do Mestrado em Cultura e Poderes da Universidade do Minho

publicado por Casa do Povo de Vizela às 15:13

09
Nov 09

           Actualmente, e com as consecutivas alterações legais e com a Segurança Social implementada e generalizada, as Casas do Povo perderam muita da sua importância mas mesmo assim, continuam a ser entidades que nalgumas comunidades desenvolvem notáveis actividades nas áreas sociais, culturais e desportivas. A Casa do Povo de Vizela não é excepção, desenvolvendo actualmente actividades diversas como damas clássicas, o ténis de mesa, o BTT e downhill (competição), no âmbito desportivo, para além do Grupo de Reis e Grupo de Cavaquinhos que em termos musicais, vão preservando as tradições e abrilhantando espectáculos. As suas instalações dispõem de um espaço utilizado por grupos teatrais, bem como por outras entidades para ali realizarem os seus eventos. Integrado no mesmo edifício, existe outro espaço onde funciona um bar, conhecido por “café da Casa do Povo”, ponto de encontro de inúmeros cidadãos para momentos de convívio e lazer.

      Numa nova realidade, a Casa do Povo continua a desempenhar o seu papel na comunidade, sendo ainda uma instituição de referência actual, sem esquecer, certamente, o seu passado.
 
3.1   Análise ao arquivo documental
      No arquivo documental, o acervo referente ao período áureo da Casa do Povo de Vizela encontra-se reduzido a alguns livros de actas, de inventário, de registo de correspondência, de receitas e despesas do rancho folclórico e alguma correspondência enviada, bem como um álbum com fotografias diversas, nomeadamente de um momento importante do seu historial, como foi a inauguração da sede. Conforme se pode confirmar no livro de inventário, para além dos referidos, existiram livros de caixa, de descarga de quotas, de conta corrente com o orçamento e de registo de sócios. Desta forma, o acervo documental seria muito mais vasto e abastado, caso não fosse, parte dele, destruído ou extraviado após Abril de 1974. No entanto, não poderei deixar de referir a ausência das fichas dos sócios (efectivos e contribuintes) daquele período que, para além do empobrecimento do arquivo documental histórico da instituição, impossibilita uma análise mais rigorosa ao envolvimento económico-social e cultural da comunidade com a mesma.
 
3.1.1 Os livros de Actas
      Os livros de Actas disponíveis correspondem ao exercício dos diversos órgãos que constituíram os corpos directivos ou comissões administrativas da Casa do Povo, com se sucedeu aquando da sua criação. Assim, e numa análise apenas identificativa, constam os seguintes livros:
-         Livro de Actas da Assembleia Geral - com 50 folhas rubricadas, com as datas extremas: 31 de Janeiro de 1952 (Termo de Abertura e Acta nº1) a 28 de Dezembro de 2002 (Acta nº 57) e com o Termo de Encerramento a 10 de Novembro de 1953;
-         Livro de Actas dos Autos de Posse - com 30 folhas não rubricadas, com as datas extremas: 31 de Dezembro de 1970 (Termo de Abertura) e 29 de Abril de 2005;
-         Livro Actas da Direcção (primeiro) - com 100 folhas rubricadas, com as datas extremas: 30 de Agosto de 1947 (Termo de Abertura e Acta nº1) a 31 de Agosto de 1967 (Acta nº 252).
 
     Nesta breve análise, constatou-se a existência de lacunas. Assim, no livro de Actas da Assembleia Geral existe uma interrupção na elaboração de actas entre 06 de Dezembro de 1970 (Acta nº34) e 20 de Dezembro de 1984 (Acta nº35), bem como ausência de actas após 28 de Dezembro de 2002. Quanto ao livro de Actas dos Autos de Posse, após a primeira tomada de posse lavrada neste livro, dá-se um interregno até 03 de Abril de 1976, data em que tomou posse uma Comissão Administrativa. Este interregno dever-se-á certamente às mudanças após Abril de 1974, surgindo apenas a 09 de Maio de 1981 a tomada de posse de um elenco directivo, mantendo-se a periodicidade (triénio) até à data.
 
António Fernandes Gonçalves - Licenciado em Ciências Sociais/História, aluno do Mestrado em Cultura e Poderes da Universidade do Minho

 

publicado por Casa do Povo de Vizela às 16:05

02
Nov 09

Magusto de S. Martinho, dia 14 de Novembro de 2009, a partir das 15:00 horas, no Salão da Casa do Povo de Vizela.

A Direcção da Casa do Povo de Vizela, convida toda a população de Vizela, a participar no seu grandioso magusto de S. Martinho.

A entrada é livre e o vinho e as castanhas, são grátis para todos.

 

Não falte. Compareça. Divirta-se

 

publicado por Casa do Povo de Vizela às 16:37

31
Out 09

    A Casa do Povo de Vizela - uma casa à margem da ruralidade

 

    De acordo com a lei, cada freguesia rural deveria ter uma Casa do Povo, instituição corporativa que integrava proprietários e trabalhadores rurais. Efectivamente, no princípio dos anos 60, menos de 20 % das freguesias tinham Casas do Povo. A filiação na Casa do Povo era obrigatória tanto para os proprietários como para os trabalhadores. Contudo, apenas estes últimos tinham direito a assistência médica e medicamentos e a subsídios de desemprego e de doença, concedidos pela Casa do Povo.
     No entanto, surgiram Casas do Povo fora dessa ruralidade, como foi o caso de Vizela, então uma vila termal, e que me proponho analisar. Criada por alvará em 25 de Fevereiro 1944, caracteriza-se pelo desenvolvimento de aspectos ligados à defesa das terras e valores morais ligados ao espírito do mundo rural, que sempre foram uma marca do Estado Novo. Surge num período em que existem cerca de meio milhar destas instituições no território nacional, correspondente a cerca de trezentos a oitenta mil beneficiários. Estando inserida numa região termal, eram rurais a generalidade dos sócios efectivos da Casa do Povo de Vizela, pessoas que trabalhavam na terra das freguesias circunvizinhas e faziam os descontos mensais para a Casa do Povo. Para além dos aspectos já referidos no âmbito da previdência social, esta instituição desenvolvia propostas para outras iniciativas que iam ao encontro das necessidades dos sócios e da comunidade, tais como o reforço da assistência médica, a instrução primária para adultos
     Com o 25 de Abril de 1974, registaram-se profundas mudanças mas no essencial mantiveram-se os pressupostos de cooperação social. Dessas mudanças, destaca-se a retracção no número de sócios, justificada pela possibilidade de integrarem a Caixa de Previdência como beneficiários, esvaziando-se desta forma da massa contributiva e de um elemento que justificava a sua actividade, neste caso, o sócio efectivo. Para a sobrevivência da Casa do Povo a partir de então, muito contribuíram as diversas direcções, bem como alguns sócios e amigos desta Casa. Com mais de seis décadas de existência, passou por várias gerações e experimentou acontecimentos de relevo para o seu historial, como a construção e inauguração do edifício sede a 14 de Outubro de 1956, após uma década de funcionamento em sede provisória. A aspiração a esse desidrato e como objectivo bem definido, ficaram bem vincados aquando da intervenção na assembleia de 31 Outubro de 1950, do então presidente Manuel João de Freitas R. Faria, comunicando aos demais, a autorização da compra do terreno para sede Casa do Povo de Vizela, por despacho do Ministro das Corporações e Previdência Social. Para a posteridade ficaram as suas convictas palavras: “...para que a casa venha a ser um centro de assistência moral e material". Naturalmente, houve períodos de dificuldades, períodos, esses, que foram ultrapassados com o empenho e dedicação daqueles que sempre estiveram presentes, como o caso do senhor Júlio César Ferreira, sócio à longa data e que contribuiu para a continuidade desta Casa, angariando sócios e evitando assim o seu encerramento.
 
António Fernandes Gonçalves - Licenciado em Ciências Sociais/História, aluno do Mestrado em Cultura e Poderes da Universidade do Minho
publicado por Casa do Povo de Vizela às 11:24

30
Out 09

2.1 As Bibliotecas: constituição do acervo no Estado Novo

 

     Existindo a inspiração fundamental do salazarismo no ideal corporativista, não nos surpreende que uma parte importante das bibliotecas se destinassem a evidenciar os seus méritos e a divulgar à população o quadro legal da disciplina corporativa e evidenciar as vantagens práticas do Estado Novo e o valor da sua acção. A literatura sobre as vantagens das doutrinas económicas, sociais e políticas também fazem parte do acervo. Naturalmente, a antologia de excertos de discursos de Salazar, apresentada por Veiga de Macedo, era quase obrigatório existir numa biblioteca deste período. A «moralização» por que se deveriam pautar os vários aspectos da vida operária, com exaltação das virtudes de obediência, austeridade, felicidade na pobreza e castidade pré-matrimonial, bem como uma certa moral católica, fazia parte de uma literatura indispensável. Também se encontra autores estrangeiros, os quais passaram a apresentar o nosso país como um exemplo de estabilidade e de clarividência ideológica, literatura, essa, que ia construindo miticamente a figura de Salazar, «desinteressado estadista». Não de menor valor, eram os livros de valorização do ruralismo, traduzido na exaltação do viver das comunidades aldeãs. O mito dos valores históricos portugueses e a expansão ultramarina como uma façanha heróica e transcendente, surgindo como “a pedra de toque” das bibliotecas do Estado Novo.
     No lado oposto, a luta pela liberdade e o liberalismo é passado em claro, bem como a República que é apenas objecto de controversa. Por outras palavras: as bibliotecas caracterizam-se mais facilmente, no plano ideológico, pelas obras e autores que omitiam do que pelos que acolhiam.
 
António Fernandes Gonçalves - Licenciado em Ciências Sociais/História, aluno do Mestrado em Cultura e Poderes da Universidade do Minho
publicado por Casa do Povo de Vizela às 17:04

26
Out 09
1.Enquadramento geral
 
     A criação das Casas do Povo ocorre em 1933, ano em que a autorização da sua constituição se faz com a publicação do Decreto-Lei nº 23051, de 23 de Setembro de 1933. Este diploma legalprevia que a realização dos fins de previdência destes organismos corporativos se fizesse através de mutualidades a criar para o efeito, delas tendo resultado as Caixas de Previdência das Casas do Povo e abrangendo apenas os trabalhadores rurais com caracter voluntário. Estas caixas foram extintas pelo Decreto-Lei nº 30710 de 29 de Agosto de 1940. A partir daí, as Casas do Povo passaram a exercer directamente as actividades de previdência social que lhes cabiam, abrangendo, com inscrição obrigatória, todos os trabalhadores rurais e produtores agrícolas em situação semelhante à dos trabalhadores.
     Estas Caixas de Previdência (reguladas pelo Decreto-Lei nº 28321, de 27 de Dezembro de 1937) são instituições de natureza não corporativa, sendo criadas por iniciativa dos interessados ou por acto do governo, de inscrição obrigatória, cobrindo os riscos de doença, invalidez e velhice, sendo o financiamento (regime de capitalização) baseado exclusivamente em contribuições das entidades patronais e dos trabalhadores.
     A evolução do número de instituições e do número de beneficiários destas instituições, ao longo dos anos, foi evidente. O acentuado crescimento do número de beneficiários das Casas do Povo entre 1935 e 1950 teve lugar com o duplo movimento de generalização da cobertura de riscos pelos organismos da previdência, acompanhando uma tendência de estabilidade do número de beneficiários das instituições mutualistas nesta fase inicial do desenvolvimento da previdência em Portugal.
 
2. Actividade e objectivos das Casas do Povo
 
     “A Casa do Povo é, como qualquer outra estrutura organizada, alheia aos nossos interesses e, no fundo, é uma mistura de agência de cobrança de impostos e de organização de caridade.”. Esta opinião sobre a Casa do Povo, anonimamente emitida por rurais, testemunha a situação de contribuintes dos camponeses no Estado corporativo. Na realidade, algumas não seriam mais do que aquilo, principalmente aquelas de pequena dimensão e inseridas numa ruralidade profunda.
      No entanto, as Casas do Povo não se ocuparam apenas com as actividades para as quais foram criadas inicialmente. A Reforma da Previdência Social de 1962 veio permitir a generalização dos cuidados de saúde às casas do povo, aos familiares dos beneficiários e melhorias no esquema de seguro/subsídio de doença que já existia. Eventualmente, este aspecto reflecte uma prioridade política de intervenção que contribuiu para a tendência de universalização no campo da saúde. Na reorganização das Casas do Povo e suas federações de 1969, aquelas evoluem para organismos de cooperação social com objectivo, para além dos já consagrados, de colaborarem no desenvolvimento económico-social e cultural da comunidade. Neste sentido, são criadas bibliotecas nas Casas do Povo, tornando-se em locais privilegiados, e quase únicos nos meus rurais, de acesso à leitura
 
António Fernandes Gonçalves - Licenciado em Ciências Sociais/História, aluno do Mestrado em Cultura e Poderes da Universidade do Minho
publicado por Casa do Povo de Vizela às 16:25

CASA DO POVO DE VIZELA
Reconhecida de Utilidade Pública - Decreto -Lei 4/82 - / - Diploma de Sócio Honorário da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vizela - 26 de Fevreiro de 1994 - / - Voto de Louvor da Câmara Municipal de Vizela, pela presença na Residência Oficial do Primeiro - Ministro - Janeiro de 2001 - / - Moção de Saudação pelo 60º Aniversário - Câmara Municipal de Vizela - Ano de 2004 - / - Atribuição de Louvor : " Mérito do Municipio de Vizela - Grau Prata - Câmara Municipal de Vizela - 09 de Março de 2005 - / - Voto de Felicitações da Assembleia Municipal de Vizela - 27 de Fevreiro de 2006
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CASA DO POVO DE VIZELA - A SUA HISTÓRIA E A SUA VIDA
É intenção deste blog dar a conhecer a toda a gente, a história e a vida da Casa do Povo de Vizela. Por isso, ao longo dos posts que serão colocados, iremos "misturar" a história da Casa do Povo, com eventos e acontecimentos recentes, numa "mistura" que esperamos seja do agrado de todos, nomeadamente dos seus associados e amigos
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